Por que um jogador da Copa de 1970 tem o nome de uma moeda tirada de circulação há 84 anos

Por que um jogador da Copa de 1970 tem o nome de uma moeda tirada de circulação há 84 anos

Enquanto o Brasil de Carlo Ancelotti disputa a Copa do Mundo 2026 em busca do tão sonhado hexacampeonato, uma curiosidade pouco conhecida conecta a história da seleção brasileira à numismática nacional: um dos maiores ídolos da Copa do Mundo de 1970 recebeu seu apelido de uma antiga moeda que havia saído de circulação anos antes de ele nascer. Esse jogador se chama — ou melhor, é eternamente chamado de — Tostão.


A moeda que nomeia um campeão do mundo

O apelido não surgiu nos campos de futebol profissional. Nasceu nas peladas de Belo Horizonte, na infância de Eduardo Gonçalves de Andrade, em meados da década de 1950. Aos sete anos de idade, morando no Conjunto IAPI, no bairro Lagoinha, o menino foi integrado às partidas de rua com adolescentes muito mais velhos. A estatura baixa e o corpo franzino chamaram atenção — e os companheiros de jogo prontamente associaram o garoto à antiga moeda de menor valor: o tostão.

A ironia perfeita: uma moeda que já não circulava há mais de uma década ainda estava tão viva no vocabulário popular que acabou batizando um futuro campeão do mundo.


O que é o tostão? Breve história da moeda

Para quem acompanha numismática brasileira, o tostão não é novidade. Para quem chegou aqui pelo futebol e pela Copa do Mundo 2026, aqui vai um resumo.

A palavra vem do francês antigo teston e do italiano testone — termos que designavam as moedas de prata cunhadas com o retrato do monarca governante. O modelo foi adotado por Portugal ainda no reinado de Dom Manuel I, no início do século XVI, com valor nominal de 100 réis em liga de prata. Com a expansão colonial, a moeda e o nome chegaram ao Brasil.

Cronologia do tostão no sistema monetário brasileiro:

  • Brasil Colonial e Império (1695–1833): valia 80 réis, cunhado inicialmente em prata e depois em cobre a partir de 1818.
  • República Velha e Era Vargas (1918–1942): passou a representar 100 réis, em liga metálica industrial, até ser retirado de circulação.

Em 1942, a reforma monetária que instituiu o Cruzeiro como padrão oficial do Brasil extinguiu formalmente o sistema de réis — e com ele o tostão como meio de troca. Mas o léxico popular não obedece a decretos. Expressões como "não ter um tostão" e "juntar os tostões" sobreviveram décadas depois, mantendo a palavra viva na cultura brasileira.

Foi exatamente essa sobrevivência linguística que tornou possível o apelido de um dos maiores jogadores da história da seleção brasileira.


Tostão na Copa do Mundo de 1970 — a equipe mais lembrada do futebol mundial

Quando se fala em Copa do Mundo do México de 1970, fala-se da seleção brasileira mais elogiada de todos os tempos: Pelé, Rivelino, Gérson, Jairzinho e Tostão. O tricampeonato conquistado naquele ano permanece como referência absoluta de futebol ofensivo e coletivo.

Tostão integrava a linha de ataque com uma função incomum para a época: o "falso centroavante" que recuava para articular jogadas, abria espaço para Pelé e criava desequilíbrio nas defesas adversárias. Antes da Copa de 70, havia acumulado 249 gols pelo Cruzeiro, além de ser figura decisiva na conquista da Taça Brasil de 1966 — o torneio que quebrou a hegemonia dos grandes clubes paulistas no cenário nacional.

O que poucos sabem é que Tostão disputou aquela Copa com visão comprometida: uma lesão no olho havia ameaçado encerrar sua carreira antes do Mundial. Operado duas vezes, ele se recuperou e foi convocado por Zagallo. A conquista do tricampeonato foi também a sua vitória pessoal mais simbólica.

Aos 26 anos, limitações definitivas na visão encerraram sua carreira precocemente. Tostão se graduou em Medicina e construiu uma segunda carreira de destaque como cronista e analista esportivo — sempre identificado pelo apelido que uma moeda fora de circulação lhe deu na infância.


Da Copa de 1970 à Copa do Mundo 2026: o Brasil em busca do hexa

Com o Brasil de Carlo Ancelotti em campo na Copa do Mundo 2026 — enfrentando adversários como o Japão na fase eliminatória, com Vinicius Jr., Bruno Guimarães e Martinelli como referências ofensivas —, a busca pelo hexacampeonato reacende a memória afetiva de 1970. São mais de 50 anos separando o tricampeonato do possível hexa.

E no centro dessa história, um detalhe curioso: o maior ídolo daquela Copa leva o nome de uma moeda extinta há 80 anos. Para quem coleciona numismática brasileira, é um lembrete de que o valor de uma peça não se mede apenas pela cotação de mercado — mas pela memória que ela carrega.


Perguntas frequentes sobre o tostão (moeda e jogador)

Qual é a origem da palavra tostão? Deriva do francês antigo teston e do italiano testone, que designavam moedas cunhadas com o retrato do governante.

Quando o tostão deixou de circular no Brasil? Em 1942, com a substituição do padrão de réis pelo Cruzeiro durante a reforma monetária do Estado Novo.

Por que o jogador Tostão recebeu esse apelido se a moeda já não existia? Porque a expressão permaneceu enraizada no vocabulário popular para designar algo pequeno ou de menor escala. Na infância em Belo Horizonte, o menino franzino foi associado à moeda pelos companheiros de pelada.

Tostão jogou na Copa do Mundo de 1970? Sim. Fez parte da histórica seleção brasileira que conquistou o tricampeonato no México, ao lado de Pelé, Rivelino, Gérson e Jairzinho.

O tostão tem valor numismático hoje? Sim. Exemplares do período colonial e imperial, especialmente em prata, são peças buscadas por colecionadores e leiloadas regularmente no Brasil.


Fontes

  • Banco Central do Brasil — Museu de Valores (Histórico Numismático Nacional)
  • FIFA — Arquivo Histórico de Atletas e Copas do Mundo (edição 1970)
  • Acervo Histórico do Cruzeiro Esporte Clube — Estatísticas e Campanhas Esportivas
  • Enciclopédia do Futebol Brasileiro — Registros Biográficos e Expressões Populares do Esporte Nacional

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Comentário recente

  • user por Messias Pokemon, o melhor mercado do mundo.

    Esses dias uma amiga porca-ismática estava postando algumas moedas graduadas pela PCGS com nota 65 a 67 no WhatsApp. Aí ela colocou que a moeda estava em Flor de Cunho absoluto. Aí eu fui perguntar se a moeda realmente estava sem “marcas de dedo”, aí olha o que essa PORCA-ISMÁTICA me respondeu: "Ter marcas de dedo nas moedas é normal, no passado eles não cuidavam delas". Ué, então não existem moedas FC, porra! Aí ela me disse que uma simples digitalzona na moeda não deixa de ser FC? O que claro que deixa, porra! Está na definição de FC. E outra: o principal motivo de alguém comprar algo que não serve para nada — que é a moeda, cédula, selo, cartas de Pokémon, o objeto que for — é o estado de conservação, que é o cuidado com que os colecionadores armazenaram e manusearam corretamente o objeto até hoje. Se não fosse o estado de conservação, a carta do Pikachu Illustrator PSA 10 não teria sido leiloada por quase US$ 17 milhões de dólares. Aí eu perguntei para essa PORCA-ISMÁTICA se ela já leu um livro de administração de empresas e ela nem me respondeu. Claro que não, né? Para quem oferece lixo para os clientes na maior cara de pau, se tivesse lido nem estava nesse mercado, onde é mais raro encontrar um comerciante honesto do que as moedas e cédulas realmente FC ou FE. Eu só quero ver ela vender sucata para os clientes dela de mais de 60 anos daqui a 20 anos; vai ter que ir ao cemitério! Já no Pokémon, a cada dia cresce o número de colecionadores, pois a empresa contrata os melhores ilustradores do Japão para desenhar as cartas. E agora em outubro teremos a TAG, uma das maiores graduadoras dos EUA, operando aqui no Brasil. Vai dar para levar a carta nela de manhã e à tarde pegá-la já graduada.

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  • user por Messias Pokemon, o melhor mercado do mundo.

    Fascinante? É você comprar moedas ditas FC e receber SUCATA em casa? Moedas limpas, moedas circuladas, com marcas de dedo, onde os PILANTRAS dizem que é FC? Porra, se na definição de FC está escrito que a moeda não circulou, então por que diabos ela tem digital? O que a definição de FC diz: O estado absoluto de conservação. O item não apresenta qualquer vestígio de circulação, mantendo-se no mesmo estado de integridade de quando foi manufaturado pela Casa da Moeda. O item não apresenta qualquer vestígio de circulação? Ué? Então por que diabos os comerciantes chamados numismatas vendem e dizem que moedas circuladas, com digitais, são FC na maior cara de pau? Se é para vender SUCATA, por que não monta logo um ferro-velho, e não uma loja do TROCO. No Pokémon se a carta está NM ela está perfeita, nem marca de dedo tem. Já aconteceu de eu comprar uma e ela ter vários pontos brancos, reclamei com o comerciante, e disse-lhe que ele tinha me ofendido, pois quando alguém envia lixo para um cliente é uma ofensa mesmo, aí o rapaz até me pediu desculpas, enviei a carta pelo correio, mostrei o comprovante do envio e já quis me mandar o PIX no valor da carta, daí eu disse: agora ela é minha responsabilidade, quando ela chegar aí você me paga o PIX. Beleza, resolvido, se eu tivesse comprado uma moeda dita FC, com 99,9999% teria recebido uma moeda FP=Flor de Porco ou uma FDe= Flor de Porco Excepcional com uma digitalzona bem no meio da arruela de metal, e duvido se eu conseguiria devolver esse lixo para o vendedor lixo que me vendeu.

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  • user por Lilian Corina Gusso

    Muito bem elaborado este site. Ótimas fotos.

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