Ele achou que era um simples botão no campo — até descobrir uma moeda medieval de valor histórico incalculável
Uma moeda de prata de cerca de 900 anos, encontrada em uma área rural próxima ao Mosteiro de Utstein, na Noruega, foi identificada como uma peça ligada ao reinado de Magnus III Olafsson, conhecido como Magnus Berrføtt (Magnus Descalço). O objeto, encontrado em 2025, passou meses sendo tratado como um simples botão antigo até que análises revelaram seu valor histórico.
A descoberta ocorreu na ilha de Mosterøy, região de Stavanger, durante uma busca com detector de metais realizada por Morten Eek, integrante da Associação de Detectores de Rygene. A peça estava enterrada a poucos centímetros da superfície do solo.
Inicialmente, o objeto parecia um botão dos séculos 18 ou 19. Um lado tinha aparência prateada, enquanto o outro estava coberto por uma placa de cobre escurecida. A identificação mudou quando pesquisadores perceberam um desenho de cruz na superfície metálica.
O Museu de Arqueologia da Universidade de Stavanger analisou a peça com técnicas não destrutivas, incluindo microscopia e exames de raios X. O estudo revelou que a moeda havia sido modificada na Idade Média: uma placa de cobre foi presa ao verso e a borda de prata foi dobrada para transformar o dinheiro em um adorno.
A radiografia revelou uma imagem escondida: um grifo, criatura com corpo de leão e cabeça e asas de águia. Na tradição cristã medieval, o animal simbolizava a união entre o mundo terrestre e o divino. Já o outro lado apresenta o desenho conhecido como “cruz sobre cruz”, símbolo usado em moedas norueguesas do período de consolidação do cristianismo na Escandinávia.
Moeda ligada a reforma de Magnus Berrføtt
Os pesquisadores atribuíram a peça ao governo de Magnus III Olafsson, que reinou na Noruega entre 1093 e 1103. Neto do famoso rei Harald Hardrada, Magnus adotou uma política expansionista e realizou campanhas militares no Atlântico Norte, incluindo áreas como as Ilhas Orkney, Hébridas e Ilha de Man.
Para fortalecer o reino e financiar suas campanhas, o monarca promoveu uma reforma monetária. As novas moedas passaram a ter menor peso, cerca de 0,45 grama, mas recuperaram maior pureza de prata, próxima de 90%.
A mudança aumentou a confiança na moeda norueguesa e ajudou a ampliar o controle do rei sobre impostos e comércio.
Um objeto de valor além do dinheiro
O achado de Utstein também revela uma prática comum na Escandinávia medieval: o reaproveitamento de moedas como objetos pessoais.
Depois de perder sua função como dinheiro, a peça continuou tendo valor simbólico. A transformação em pingente permitiu que ela fosse usada como demonstração de identidade, riqueza e ligação religiosa.
A análise comparativa mostrou ainda que a moeda possui relação com exemplares encontrados no depósito de Lundby Krat, na Dinamarca. Um dos exemplares compartilha marcas do mesmo molde de fabricação, indicando conexões comerciais entre diferentes regiões do Mar do Norte.
O achado é considerado raro porque existem poucos exemplares conhecidos desse tipo de moeda associada a Magnus Berrføtt. Além disso, é o primeiro registro desse modelo encontrado em território norueguês.
A descoberta reforça a importância da colaboração entre detectoristas e museus para recuperar objetos que ajudam a reconstruir períodos de transformação política, econômica e religiosa da história europeia.
Fontes consultadas
- Universidade de Stavanger (UiS) — informações sobre o achado de Utstein e análise arqueológica da moeda.
- Museu de História Cultural da Universidade de Oslo — estudos sobre moedas medievais norueguesas e circulação monetária.
- The Viking Herald — reportagem sobre a moeda associada a Magnus Barefoot.
- Popular Science — reportagem sobre a descoberta da moeda inicialmente confundida com um botão.
- The History Blog — análise histórica do achado.
- Estudos sobre “Suspended Value: Using Coins as Pendants in Viking-Age Scandinavia” — uso de moedas como adornos na Era Viking.
- Squarisi, Dad; Salvador, Aríete. A arte de escrever bem — princípios de clareza e concisão jornalística.
- Manual de Redação e Estilo do Estado de S. Paulo — estrutura e linguagem jornalística.
Imagem gerada por inteligência artificial (IA). A arte é uma reconstrução visual e não corresponde a uma fotografia original do achado arqueológico.