Moedas de mais de 2 mil anos são recuperadas após percorrerem o mercado ilegal de antiguidades
Duas moedas com mais de 2 mil anos foram devolvidas a Israel em maio de 2026 após uma investigação internacional que envolveu autoridades israelenses e norte-americanas. As peças, consideradas raras pela numismática (estudo das moedas), haviam sido retiradas ilegalmente de sítios arqueológicos e chegaram ao mercado de antiguidades dos Estados Unidos.
A cerimônia de entrega ocorreu em Nova York, no gabinete do Procurador Distrital de Manhattan. Participaram da operação a Autoridade de Antiguidades de Israel, a unidade especializada em tráfico de antiguidades do Ministério Público de Manhattan e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
Segundo as autoridades envolvidas, as moedas foram localizadas após o compartilhamento de informações sobre peças que circulavam no mercado internacional. A investigação apontou que os objetos tinham origem em escavações clandestinas e haviam sido colocados à venda de forma irregular.
O caso faz parte de uma série de ações de cooperação entre Israel e Estados Unidos para recuperar bens culturais retirados ilegalmente do Oriente Médio. Uma das operações anteriores resultou na devolução, em 2022, de uma moeda de prata do período da revolta judaica contra Roma, datada do século 1º.
A peça devolvida naquele episódio era um quarto de siclo, moeda cunhada em Jerusalém durante a Grande Revolta Judaica (66-73 d.C.). O objeto havia desaparecido após ser retirado ilegalmente da região do Vale de Elah e passou por diferentes países antes de ser apreendido nos Estados Unidos.
Outro caso de grande repercussão ocorreu em 2021, quando autoridades americanas investigaram a coleção do empresário Michael Steinhardt. A operação levou à recuperação de centenas de antiguidades consideradas de origem ilegal e à devolução de peças a diferentes países, incluindo Israel.
As duas moedas entregues em 2026 têm trajetórias históricas distintas. Uma pertence ao período do último rei da dinastia hasmoneia, Matatias Antígono, governante da Judeia entre 40 a.C. e 37 a.C. A outra foi cunhada na cidade de Ascalão, no período do Império Persa, há cerca de 2.500 anos.
Moeda de Matatias Antígono traz símbolos do Templo de Jerusalém
A moeda de bronze atribuída a Matatias Antígono é considerada uma das peças mais importantes da numismática judaica antiga. O objeto apresenta imagens associadas ao Templo de Jerusalém, incluindo a menorá de sete braços e a Mesa dos Pães da Proposição.
A menorá era o candelabro utilizado no culto religioso judaico e ficava no interior do Templo. Sua representação em uma moeda chama atenção de especialistas porque os objetos sagrados tinham acesso restrito dentro da tradição religiosa da época.
A peça também apresenta inscrições em dois idiomas. Em escrita hebraica antiga aparece o nome Matatias associado ao título de sumo sacerdote. No outro lado, em grego, está registrado o título de rei Antígono.
A combinação dos idiomas refletia o cenário político da Judeia no século 1º a.C. O uso do hebraico reforçava a ligação com a tradição judaica, enquanto o grego dialogava com o ambiente político do Mediterrâneo oriental.
A moeda foi produzida durante um período de disputa pelo controle da Judeia. Matatias Antígono enfrentava Herodes, que contava com apoio romano. A utilização de símbolos ligados ao Templo funcionava como uma forma de afirmar sua autoridade religiosa e política.
A segunda moeda recuperada pertence a outro período histórico e revela a influência comercial do Mediterrâneo antigo. Trata-se de um tetradracma de prata produzido em Ascalão, cidade portuária localizada na atual costa de Israel.