Ruínas em Taxila. Imagem usada para fins representativos. Arquivo | Crédito da foto: Wikimedia Commons
Arqueólogos anunciaram em 9 de janeiro a descoberta de moedas de cerca de 2 mil anos na região de Rawalpindi, no Paquistão. As peças, do período do rei Vasudeva, foram encontradas no monte Bhir, próximo a Taxila, junto com fragmentos de lápis-lazúli do século 6º a.C. Segundo os pesquisadores, o achado reforça a importância política, econômica e religiosa da região durante o Império Kushan.
As moedas de bronze pertencem ao século 2º d.C., fase final do domínio kushan. Após análise científica e estudo numismático, os especialistas identificaram a imagem do imperador Vasudeva em um dos lados. No outro, aparece uma divindade feminina com halo. Para os estudiosos, essa iconografia confirma que os governantes apoiavam diferentes tradições religiosas.
Registros históricos mostram que o Império Kushan, ativo entre os séculos 1º e 3º d.C., adotou política de tolerância religiosa. Moedas anteriores já traziam símbolos ligados a tradições indianas, iranianas, gregas e budistas. A presença de uma deusa nas peças atribuídas a Vasudeva indica que o pluralismo persistiu mesmo nos últimos anos do império.
O contexto da descoberta também chama a atenção. O lápis-lazúli encontrado nas escavações data de período muito anterior às moedas. A pedra semipreciosa, comum na região de Badakhshan, no atual Afeganistão, circulava em rotas comerciais de longa distância. A associação entre os materiais sugere que Taxila integrou redes comerciais que ligavam a Ásia Central ao subcontinente indiano.
Taxila foi um dos principais centros urbanos da Antiguidade na região. Conectada à antiga “Estrada Real”, que ligava a capital maurya Pataliputra (atual Patna, na Índia) ao noroeste, a cidade serviu como polo de comércio e intercâmbio cultural. Sob governantes como Kanishka, tornou-se centro administrativo e incentivou o budismo e a arte gandhara, marcada pela influência grega, persa, romana e indiana.
Para os arqueólogos, o conjunto dos achados confirma dois pontos centrais: a relevância estratégica de Taxila sob os Kushans e a convivência de múltiplas crenças no império. As moedas funcionavam como meio de troca e também como instrumento de afirmação política. Ao estampar diferentes divindades, o Estado sinalizava reconhecimento às diversas tradições de seus súditos.
A descoberta amplia o entendimento sobre o período e reforça o valor da numismática como fonte histórica. Em contextos com poucos registros escritos, as moedas ajudam a reconstruir práticas religiosas, rotas comerciais e estratégias de poder na Antiguidade.