Dois imperadores e Cristo aparecem em uma moeda de ouro bizantina encontrada nas montanhas da Noruega. Crédito: Martine Kaspersen/Condado de Innlandet.
Uma moeda de ouro da era bizantina, encontrada recentemente nas montanhas do sul da Noruega, intriga arqueólogos e historiadores. O objeto, cunhado há cerca de mil anos no Império Bizantino, levanta dúvidas sobre o caminho que percorreu até chegar à região de Valdres.
A peça é um histamenon nomisma, tipo de moeda introduzido em Bizâncio por volta de 960 d.C. Em um dos lados, aparece a imagem de Cristo segurando a Bíblia. No outro, estão representados dois imperadores: Basílio II e Constantino VIII, irmãos que governaram conjuntamente o império entre 976 e 1025.
Segundo a arqueóloga norueguesa May-Tove Smiseth, a moeda deve ter sido cunhada no início do século XI. A borda pontilhada indica que a produção ocorreu nos últimos anos do reinado dos dois imperadores, embora a data exata não possa ser confirmada.
A moeda traz ainda inscrições em duas línguas. Em latim, lê-se “Jesus Cristo, Rei dos que governam”. Em grego, a inscrição identifica Basílio e Constantino como imperadores do Império Bizantino.
A principal hipótese sobre a presença da moeda na Noruega envolve Harald Hardrada, rei norueguês entre 1046 e 1066. Antes de subir ao trono, ele serviu na Guarda Varangiana, tropa de mercenários escandinavos que atuava como guarda pessoal do imperador bizantino a partir de 1034.
De acordo com o governo do condado de Innlandet, era comum que membros da Guarda Varangiana acumulassem riquezas em Bizâncio. Durante o período em que Hardrada esteve a serviço do império, três imperadores morreram, o que, segundo relatos históricos, frequentemente resultava em saques ao palácio.
“Não é irrealista sugerir que a moeda tenha origem nesses tesouros”, afirmou Smiseth ao site Science Norway. Estudos citados pela arqueóloga mostram que moedas de ouro bizantinas são raras na Escandinávia, mas aparecem com mais frequência na Noruega do que em países vizinhos.
Outra possibilidade é que a moeda tenha chegado à região por meio das antigas rotas comerciais que ligavam o leste ao oeste da Europa. Nesse cenário, um comerciante poderia tê-la perdido durante uma viagem.
O local da descoberta deverá passar por novas escavações na primavera. A moeda foi encontrada no fim do outono, quando o solo já estava congelado, o que limitou a investigação inicial. Arqueólogos esperam que a análise do entorno traga novas pistas sobre o percurso improvável da moeda bizantina até as montanhas norueguesas.