Moeda de prata confirma localização de colônia espanhola dizimada pela fome no século 16

Moeda de prata confirma localização de colônia espanhola dizimada pela fome no século 16

A descoberta de uma moeda de prata de cerca de 440 anos confirmou a localização exata de Ciudad del Rey Don Felipe, colônia espanhola fundada em 1584 no Estreito de Magalhães e destruída pela fome poucos anos depois. O achado foi feito em março de 2026 por pesquisadores do Centro de Estudios Históricos y Humanidades, na região hoje conhecida como Puerto del Hambre, no extremo sul do Chile.

A peça, um “real de a ocho” cunhado durante o reinado de Felipe II, foi encontrada nas fundações da antiga igreja do assentamento. O local coincide com a descrição feita pelo navegador espanhol Pedro Sarmiento de Gamboa, responsável pela criação da colônia. A descoberta confirma relatos históricos e permite mapear com precisão a estrutura urbana do povoado.

A fundação de Ciudad del Rey Don Felipe ocorreu em um contexto de disputa pelo controle do Estreito de Magalhães, rota estratégica entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Após a passagem do inglês Francis Drake pela região, em 1578, a Coroa espanhola decidiu ocupar e fortificar o estreito para impedir incursões estrangeiras.

Sarmiento de Gamboa liderou uma expedição com cerca de 2.400 pessoas. Tempestades, naufrágios e deserções reduziram o contingente antes mesmo da chegada. Ainda assim, duas colônias foram criadas em 1584: Nombre de Jesús e Ciudad del Rey Don Felipe, esta última planejada como centro administrativo e militar.

O assentamento foi instalado em área de clima rigoroso e solo pobre. Ventos intensos, baixas temperaturas e dificuldades agrícolas impediram a produção de alimentos. A situação se agravou com a falta de apoio externo. Sarmiento deixou a região em busca de suprimentos, mas foi capturado por ingleses e não retornou.

Sem assistência, os colonos enfrentaram escassez extrema. Registros indicam avanço de doenças como escorbuto (deficiência de vitamina C) e colapso da ordem interna. Parte da população tentou sobreviver com mariscos, frutos silvestres e cascas de árvores. Pesquisadores apontam ainda a possível presença de maré vermelha, fenômeno que contamina frutos do mar e pode ter contribuído para mortes súbitas.

Em 1587, o navegador inglês Thomas Cavendish chegou ao local e encontrou apenas 18 sobreviventes entre cerca de 400 colonos iniciais. Diante da cena de cadáveres e ruínas, rebatizou a área como Port Famine (Porto da Fome), nome mantido até hoje.

A moeda agora descoberta teria sido enterrada de forma ritual na fundação da igreja, como símbolo de autoridade da Coroa e proteção religiosa. Com base nesse ponto, arqueólogos conseguiram identificar o centro do assentamento e reconstituir sua organização.

Além da moeda, escavações revelam estruturas precárias, ferramentas e objetos pessoais. Os vestígios mostram a tentativa dos colonos de manter padrões europeus em ambiente hostil, sem adaptação às condições locais.

O caso contrasta com a sobrevivência dos povos indígenas da região, como os kawésqar e os aonikenk, que dominavam técnicas adequadas ao clima e aos recursos disponíveis. A falta de interação efetiva entre colonos e nativos contribuiu para o fracasso da ocupação espanhola.

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