Moeda com imagem de João Batista intriga especialistas e reforça hipótese de origem híbrida

Moeda com imagem de João Batista intriga especialistas e reforça hipótese de origem híbrida

Uma moeda de ouro do século 9 encontrada em Dunton, no condado de Norfolk, na Inglaterra, desafia explicações tradicionais sobre a circulação monetária na Europa medieval. O objeto, perfurado para uso como pingente, traz a imagem de João Batista — algo raro para a época — e levanta dúvidas sobre sua origem e função.

Descoberta por um detectorista no início de 2026, a peça foi datada entre as décadas de 860 e 870. Especialistas ouvidos pela BBC afirmam que se trata de uma imitação de solidus, moeda de prestígio inspirada no modelo romano e bizantino. O uso de ouro, material incomum na economia da época, indica alto valor simbólico.

A inscrição em latim ajuda a identificar a figura representada. De um lado, lê-se “IOAN”, referência a João. No verso, aparecem fragmentos que podem ser traduzidos como “Batista e Evangelista”. A junção dos dois títulos, porém, não segue a tradição cristã, que distingue personagens diferentes.

Segundo o numismata Simon Coupland, não há registros semelhantes no período carolíngio. Na Europa Ocidental, moedas costumavam exibir reis, não figuras religiosas. A exceção reforça o caráter incomum da peça.

Outro ponto que intriga os pesquisadores é a possível origem escandinava. Moedas desse tipo eram, em geral, produzidas por povos nórdicos. No entanto, no século 9, os vikings ainda não eram cristãos. A presença de um santo cristão sugere contato cultural mais complexo do que se imaginava.

Estudos recentes indicam que oficinas na Frísia, atual Holanda, podem ter fabricado esse tipo de objeto. A região era um centro comercial ligado a rotas do Mar do Norte e sofreu influência tanto dos francos quanto dos vikings. Nesse ambiente, artesãos teriam copiado modelos conhecidos, sem pleno domínio do significado religioso.

Há três hipóteses principais para explicar a imagem. A primeira aponta para o uso simbólico: o santo seria visto como figura poderosa, não necessariamente religiosa. A segunda sugere produção voltada ao comércio com cristãos. A terceira indica erro de interpretação, comum em imitações.

Comparações com outras descobertas reforçam o caráter único da moeda. Um pingente achado em Elsing, também em Norfolk, segue o padrão tradicional e retrata o imperador Luís, o Piedoso. Já a peça de Dunton substitui o governante por um santo, rompendo o modelo.

O furo na parte superior indica que o objeto foi usado como joia. Nesse contexto, mais do que moeda, funcionava como símbolo de status e proteção. Itens desse tipo eram comuns entre elites locais, tanto anglo-saxãs quanto escandinavas.

A peça passa por análise para verificar se será classificada como “tesouro”, conforme a legislação britânica. Se confirmada, poderá ser adquirida pelo Museu do Castelo de Norwich, que já manifestou interesse.

Enquanto o processo segue, o achado amplia o debate sobre o século 9 europeu. A moeda sugere um cenário de troca cultural intensa, em que símbolos religiosos, poder político e comércio se misturavam. Para os especialistas, o objeto não se encaixa nos modelos conhecidos — e именно por isso ganha relevância histórica.

Foto: Andrew Williams/Norfolk County Council

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